domingo, 6 de setembro de 2009

Meliponicultura (criação de abelhas meliponas - exemplo: Uruçu, mandaçaia, entre outras)

I - INTRODUÇÃO

Origem – As abelhas existem em nosso Planeta há milhões de anos, surgindo junto com as plantas superiores (aquelas que dão flores).
As abelhas têm a função de polinizar as flores para a perpetuação do mundo vegetal em troca de néctar e pólen, como alimento e resinas para várias construções das colméias e todos os seus componentes (potes de mel e favos de crias, vedação e proteção, entre outros).
As abelhas sem ferrão existem há 120 milhões de anos na América do sul e se espalharam pela América do Norte indo até a África e Oceania, via Ásia. Hoje essas abelhas ocorrem na América do Sul, América Central, Ásia, Ilhas do Pacífico, Austrália, Nova Guiné e África. Existem no Brasil, cerca de 300 espécies de abelhas indígenas nativas, das mais de 400 espécies espalhadas pelo mundo.
Histórico – As abelhas nativas sem ferrão eram as únicas produtoras de mel e as principais polinizadoras das plantas brasileiras até 1838, quando Padre Antonio Pinto Carneiro introduziu as abelhas Européias, Apis Mellifera Ibérica, vindas do Porto (Portugal) ao Rio de Janeiro, não para produção de mel e sim para produção de cera para fabricar velas brancas para as missas da corte.
A quantidade de abelhas nativas era tão grande que acidentes geográficos eram identificados pelos sertanistas da época através das abelhas (o Rio das Abelhas é um exemplo).
A partir dos séculos XVII e XVIII a destruição das abelhas nativas foi tão grande que a igreja católica proibiu a exploração para impedir a completa destruição de várias espécies.
Ainda hoje as nossas abelhas nativas estão sendo destruídas (existem em pequenas quantidades no seu habitat), com o risco de destruição de várias espécies.
A destruição tem sido causada por desmatamento, incêndio, extrativismo dos meleiros, madeireiras, carvoarias e pelo manejo inadequado o que coloca em risco de extinção de espécies como a Uruçu do Nordeste, Madaçaia, a Munduri do Sul e a Tiuba do Maranhão, dentre outras.
As abelhas Melíferas européias que chegaram ao Brasil há quase 170 anos, só no século passado foram estabelecidas técnicas básicas para sua criação.

As nossas abelhas nativas estão sendo estudadas há pouco mais de três décadas, isto também contribuiu para a destruição de algumas espécies.
Além de possibilidade de produzir mel de excelente qualidade, fatores ecológicos tem tornado cada vez mais necessária a sua criação: (muitas espécies estão ameaçadas de extinção por destruição do habitat).
Além das vantagens ecológicas, é possível tirar proveito econômico dessa iniciativa.

Podemos destacar diversas vantagens da criação:

- Preservação da fauna e flora (biodiversidade);
- Menor número de horas de trabalho por ano;
- Fácil multiplicação de enxames
- Baixo custo de implantação e manutenção do moliponário
- Pode ser criado por qualquer pessoa (alérgicas, crianças, idosas);
-Lazer para terceira idade
- Podem ser criadas junto às residências na Zona Rural e Urbana
- Fácil controle anti-roubo;
- Maior quantidade de caixas por menor espaço;
- Méis mais valorizados, mais saborosos, odoríferos e com menor teor de açucares.
- Pode ser utilizado para vender mel de outras espécies (serve de conhecimento das abelhas);
- Constituem farto material para estudos e ensino da educação ambiental.
- Produzem mel de excelente qualidade (exótico e orgânico);
- Manejo facilitado e periódico;
- Trabalho realizado com maior conforto face ao sombreamento e pouco equipamento de proteção.
- Adaptadas ao clima, existe uma espécie para cada habitat;
- Facilidade de limpeza do meliponário
- Produzem mel, geoprópolis, cera e pólen;
- Mercado de mel garantido (aberto);
- Transforma o homem social, cultural, econômico e ecologicamente.



DIFICULDADES INERENTES A CRIAÇÃO

- Conservação do mel;
- Escolha da espécie a ser criada;
- Dificuldades em adquirir enxames;
- Preferência floral
- Enxameação demorada;
- Grupo altamente especializado (condições de clima e vegetação);
- Legislação ainda deficiente (animal silvestre);
- Sentimentalismo;
- Número mínimo de enxames.

II-AS ABELHAS NATIVAS

BIOLOGIA

As abelhas, reunidas na superfamília apoidea, são dotadas de estrutura para coleta de alimentos, como corbícula, vesícula melífera, entre outros. A maioria das espécies tem no néctar e no pólen das flores a sua principal fonte de nutrientes, mas existem, ainda, algumas espécies que são carnívoras e outras ladras, vivendo apenas da pilhagem dos ninhos de outras abelhas.
A superfamília Apoidea é formada por diversas famílias. Dentre as famílias, a que apresenta hábitos sociais mais avançados é a família Apídea, composta por quatro subfamílias: Apineos, Meliponídeos, Bombíneos e Euglóssineos. As três primeiras subfamílias se encontram em estágio social mais avançado, e a outra e formada, na grande maioria, por abelhas solitárias ou de hábitos sociais primitivos. As abelhas da subfamília Meliponinae (Hymenóptera, Apidae), são as “Abelhas indígenas sem ferrão”.
A subfamília Meliponinae distribui-se em duas tribos, Meliponinae, formada apenas pelo gênero melípona, encontrado, exclusivamente, na região neotropical (América do Sul, Central e Ilhas do Caribe), e Trigonini, que agrupa um grande número de gênero e está distribuída em toda a área de distribuição da subfamília. Entre as Meliponinae que habitam o Brasil têm-se: A Uruçu do Nordeste (Melípona Scutellaris), Mandaçaia (Melípona Quadrifasciata), Tiuba (Melípona Compressipes), Jandaira (Melípona Subnitida) e outras. Entre as Trigonini citamos a Jataí (Tetragonisca Angustula), a mais comum no Estado de São Paulo, ocorrendo também em nossa região, e a Iraí (Nannotrigona Testaceicornis), comuns em nossa região.
As Meliponinae vivem em colônias constituídas por grande número de abelhas operárias que realizam a construção e manutenção da estrutura física da colméia coleta e processamento do alimento e proteção da cria. Vivem em média 30 a 40 dias. A rainha quando fecundada, apresenta o ventre bem dilatado, podendo ser localizada a olho nu. Geralmente habita a área de cria, circulando entre os favos.
Os machos (Zangões) são produzidos geralmente nas épocas de abundancia de alimentos e presença de células reais no caso da Trigonini.

DIFERENCIAÇÃO DE CASTAS

Características
Gênero Melípona
Gênero Trigona
1Células Reais
1- Iguais as das operárias
1- maiores que as das operárias
2 Tamanho ao Eclodir
2- Igual ao das operárias
2- Maiores que as operárias
3 Diferenciação de Castas
3- Genética e alimentar
Alimentação
4 Distribuição das células reais
4-Todos os favos
4-Extremidade de alguns favos


ENXAMEAÇÃO

O processo de multiplicação dos meliponineos é lento. Após localizar uma cavidade adequada, as operárias, transportam material da colméia mãe para fundar a estrutura do novo ninho. Após tudo pronto, a rainha virgem sai da colméia mãe para realizar o vôo nupcial com apenas um macho. Após fecundada ela assume o novo ninho iniciando a postura.

ESCOLHA DE ESPÉCIES PARA A CRIAÇÃO

Na escolha das espécies, deve-se dar preferência ás que são nativas da região onde está o meliponário ou as espécies procedentes de áreas com ecologia compatível. As Meliponíneas são estritamente adaptadas ás condições ecológicas locais. O ideal é que a espécie escolhida para a criação tenha as seguintes características:
existir em quantidade
ser criada há muito tempo racionalmente
produzir mel em quantidade e qualidade
não possuir hábitos sujos
existir na região
ser de fácil multiplicação
As espécies mais utilizadas para a produção de mel são: Uruçu, Mandaguari, Jataí, Munduri Mandaçaia e Jandaira.

III- MELIPONÁRIOS

LOCALIZAÇÃO E INSTALAÇÃO DE MELIPONÁRIO

Um conjunto de colméias agrupadas denomina de meliponário. Um centro de criação, com proximidade das colméias facilita o manejo e permite maior eficiência. O local deve contar com algumas características determinantes para o sucesso da meliponicultura:
- Localizado de preferência próxima de residências;
- Terreno limpo, com as colméias apoiadas em bases fixas individuais ou coletivas, podendo também ser penduradas no alpendre da casa ou em galpões sempre livre de predadores.
- Nas bases individuais ou coletivas as caixas distanciadas de 0,50m a 2,0m de acordo com a espécie, mantendo 50cm do chão com proteção contra inimigos (formigas, cupins, largatixas etc).
- Distância da pastagem Apícola (Florada) máxima de 500 metros
- Água máxima 100 metros
- Outro meliponário ou apiário 1.500 metros
- Número de caixa por meliponário depende do potencial da florada e do número de indivíduos por colméia. O ideal máximo 80 a 100 colméias para abelhas de porte pequeno (Jataí e Irai) e 40 a 60 colméias para abelhas de porte grande (Uruçu e Mandaçaia).
- As caixas protegidas contra o calor excessivo (sombra de árvores ou telhados)
- Preferencialmente pintar as caixas com coloração diferentes.
- Local livre de ventos fortes, se necessário utilizar plantas quebra ventos (bambu, eucalipto, sabiá).

OUTROS FATORES IMPORTANTES

- Lâmpadas de luminosidade intensa não devem ser usadas próximo ao meliponário. As luzes podem matar as abelhas.
- Se não houver nascente a 100 metros, construir bebedouro com as seguintes medidas: Tanque de cimento 25 a 30cm profundidade.
40 a 60 cm de extensão.
20 a 30 cm nas laterais
- Colocar pequenos peixes no tanque para evitar ploriferação de mosquitos e pedaços de madeira boiando para evitar que as abelhas afoguem caso caiam na água.

FLORA APÍCOLA

É dado o nome de pastagem meliponicola a todas as plantas nativas e, ou, exóticas, utilizadas pelas abelhas para coleta de matéria prima, utilizadas na produção de mel, própolis e pólen. Esta flora deverá ser bem diversificada para manter flores suficientes durante todo o ano. Se não houver essa condição, podemos cultivar espécies que dão flores no período de escassez (mimo do céu,ora-pro-nobis, alumã etc.), ainda fazer alimentação artificial.
É preciso considerar que existem plantas que são tóxicas para abelhas, listamos algumas dessas plantas tóxicas:
– Araribá – leguminosa papilionácea com flores amarelas, apresentando uma semente por vargens e protegidas por fortes espinhos.

- BALSA
- CANORA – CANÊ OU CANGARÁ-CANÉ-(um cipó com grande toxidade)
- ESPATÓDEA OU TULIPEIRA DO GABÃO -as flores tem um líquido tóxico
- MELALEUCA - da origem a méis de má qualidade
- MULUNGA – néctar tóxico
- TUPARAIBA – da origem a méis amargos
- UVAIA GRANDE – tóxica a algumas abelhas
- VELAME – algumas Euforbiáceas dão origem a méis muito amargos
- BARBATIMÃO – essa planta tem grande toxidade às abelhas, levando a morte, existe uma espécie de barbatimão do Litoral Norte do Estado da Bahia.
Devemos dar atenção especial aos pastos meliponicolas da região, caso necessário melhorá-los introduzindo espécies de plantas que ofereçam pólen e néctar. Na falta desses, deve-se utilizar alimentação artificial.

IV-AQUISIÇÃO DE ENXAMES

Escolhida as espécies ou a espécie que será criada, o povoamento será feito pela transferência dos ninhos naturais para as colméias racionais, pela divisão de famílias, captura com caixas iscas e compra de criadores.
Os ninhos naturais são encontrados em reservas florestais nativas, alojados em oco de árvores, mais devido a grande degradação destas reservas florestais nativas e a exploração de meleiros para venda de mel e dos cortiços; está se tornando cada vez mais raro, encontrar algumas espécies das nossas abelhas nativas, no seu habitat na Região Litoral Norte da Bahia.

V - MANEJOS

1-TRANFERÊNCIA DO ENXAME DO CORTIÇO PARA CAIXA PADRÃO

- Quando o enxame está alojado em tronco de árvore localizar a entrada das abelhas, geralmente o ninho está instalado 30cm abaixo ou acima da entrada.
- Abrir com extremo cuidado, com auxílio de um formão, motosserra ou machado para não causar o desmonte do ninho.
- Ao atingir a cavidade do ninho, com auxilio de uma lâmina descolar o ninho das paredes com cuidado para não romper os favos.
- Retirar os favos de crias sem amassar ou comprimir e colocar na caixa padrão na mesma posição que estavam no cortiço, com espaço entre os favos que permita a circulação das abelhas. Isto pode ser conseguido, colocando um pouco de lamelas de cerume entre os favos e entre estes e o fundo da caixa.
- o cerume deve ser colocado em torno da cria para protegê-la
- Resina e as abelhas adultas da colônia original devem ser transportadas para nova colméia.
- As abelhas jovens que não conseguem voar recolher com auxílio de um aspirador de inseto ou de uma folha, nunca toque nas abelhas com as mãos nem a rainha.
- Os potes de alimentos, rompidos, favos com larvas novas amassados ou danificados devem ser descartados. A cera dos potes de alimentos rompidos (mel e pólen) devem ser bem lavados e colocados à disposição das abelhas próximo ao meliponário.
- O mel e o pólen contidos nos potes rompidos poderão ser devolvidos para a colméia em pequenas doses, colocados em alimentadores.
- A caixa deve ser bem vedada para não entrar moscas pela tampa ou frestas e ser colocada onde estava o cortiço.
- Colocar na entrada um protetor (copo plástico ou garrafa pet) contra largatixas e dentro do copo para orientar a entrada das abelhas, colocar um pouco da cera bem lavada.
- O tronco do antigo ninho e os restos do ninho devem ser colocados bem distantes da nova colméia.
- Executar as operações com calma, mas o mais rápido possível para os efeitos da temperatura ambiente não afetar as crias.


2-DIVISÃO DE FAMÍLIAS

Preparar a caixa nova bem vedada para não entrar moscas ou formigas
- Colocar proteção na entrada contra lagartixa e o alimentador no orifício da parte traseira.
- Retirar quatro discos de crias madura (coloração marrom claro) da caixa ou caixas doadoras, colocar na mesma posição que estavam na caixa doadora,
- Abrir a caixa que será a doadora de abelhas e bater um pouco para a saída das abelhas em seguida retirar a caixa doadora para outro local afastado e colocar a nova caixa no mesmo local e na mesma posição, já fechada, colocando próximo à caixa uma armadilha para as moscas do forídeo. Essa armadilha pode ser feita com um vidro com tampa com furos pequenos que permita somente a entrada das moscas, colocando nele um pouco de vinagre ou pólen.
- Colocar cerume e resina da doadora ou doadoras na entrada para orientar as abelhas.
- Colocar alimentação artificial somente dois dias após a divisão para não atrair as moscas do forídeo.
Fazer revisão diária até a consolidação da nova família observando o seguinte:
- verificar se existe presença de moscas do forídeo, fazer limpeza para impedir o nascimento de larvas e manter o vasilhame com vinagre.
- Se não houver a presença de moscas, colocar alimentação artificial até a consolidação da família, com favos cheios de mel e pólen e início da postura da rainha.
- Manter a família forte, se o número de abelhas estiver pequeno, trocar de local com uma família forte.

3- CAPTURA COM CAIXAS ISCAS

- Espalhando no campo ou no Meliponário colméias desocupadas, de preferência que antes já tenha abrigado colônias sadias de abelhas, colocando em seu interior cerume e resinas da espécie que deseja capturar. A caixa deve estar bem fechada e possuir uma abertura por onde as abelhas possam entrar.
- Transportar e enxame estabelecido somente quando estiver consolidado com potes de mel e pólen e favos de crias novas.

4- COMPRA DE CRIADORES

- Informar se existe na região criadores que comercializam enxames de abelhas da espécie que decidiu criar e adquirir.

VI - REVISÕES

1 - MANUTENÇÃO - O que observar-período pós-florada cinco vezes ao ano
1.1- Entrada e saída de abelhas
1.2- Existência de inimigos naturais
1.3- Quantidade de mel e pólen
1.4- Desenvolvimento da família (quantidade de abelhas, rainha e crias)
1.5- Estado de conservação da caixa
1.6- Necessidade de colocar melgueira, fazer divisão ou fortalecer família fraca.
2- PRODUÇÃO – O que observar
2.1- Colocar melgueira se necessário
2.2- Retirar potes mofados e mel de alimentação artificial
3- INVERNO
3.1- Colocar alimentador
3.2- Fornecer alimento
3.3- Reduzir espaço
3.4- Fortalecer famílias fracas
Para o melhor controle das revisões, podemos usar uma ficha para serem anotadas as seguintes informações:
Dados da colméiaà número da colméia, espécie de abelha, procedência.
Situação do ninhoà Alimento: muito/médio/pouco
Umidade: sim/não
Favos mofados: sim/não
Lixo: sim/não
Desenvolvimento: ruim/médio/excelente
Colheita: sim/não

VII-CONTROLE DE INIMIGOS

1.PRAGAS

- O maior predador de nossas abelhas é o homem, que destrói o habitat por derrubada, queimada e ainda colhendo o mel na destruição do ninho na natureza e na criação inadequada.
- PÁSSAROS-ANU-BEM-TE-VI, PARDAIS-para o seu controle, evitar áreas com locais para nidificações e pouso desses animais.
- LARGATIXAS-controle-colocar protetor plástico na entrada feito com garrafa pet ou copo de embalagem de alimentos.
-ARANHAS-manter caixas longes de árvores e confeccionar bases de ferro.
FORMIGAS-CORREIÇÃO TAIOCA E DOCEIRA-manter caixas a 50cm do solo e com protetor de espuma com óleo queimado.
HOMEM-manter as colméias próximas às residências nas cidades, precavendo-se contra as aplicações de inseticidas destinadas ao mosquito da dengue.
-FORÍDEOS-são moscas que possuem movimentos rápidos, que se alastram e desenvolvem em grande velocidade. O ovo eclode em um dia e meio a dois, surgindo uma larva que se alimenta do pólen e do alimento larval das crias.

MEDIDAS PREVENTIVAS

-Evitar ferir favos de crias novas quando fizer manejo
- Nunca utilizar favos novos, quando da divisão de família.
- Não colocar potes de pólen quando da divisão ou transferência de enxames
- Não colocar alimento artificial nos dois primeiros dias após divisão
- Realizar divisões no período quente e seco, no período da tarde fechando a caixa com tela fina à noite.
- Evitar uso de caixas com frestas
- Retirar diariamente a sujeira acumulada no piso da caixa
- Manter famílias forte trocando de local se necessário.
- Usar a armadilha com vinagre ou pólen só quando houver infestação, mantendo os furos desobstruídos.
2- DOENÇAS

- Até o presente não foi detectada nenhuma doença nos enxames de ASF.
- A abelha Uruçu (Melípona Scutellaris) quando exposta ao pólen de barbatimão, apresenta falhas nos favos de cria por mortalidade de larvas.
- Favos com orifício vazio acontecem em criações proveniente de um único enxame sem introdução de novos genes. Este sintoma é a incidência de consangüinidade.
- Para evitar a consangüinidade, fazer troca de rainhas ou enxames a cada dois anos.
- O manejo inadequado pode ocasionar a morte de crias (posição invertida dos favos de cria).

VIII- TIPOS DE ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL

A alimentação artificial é indicada apenas para época de escassez de alimentos (néctar e pólen), período longo de chuvas, ou quando da divisão de família.
A alimentação artificial contribui muito para o fortalecimento da família e deve ser utilizada antes da florada para proporcionar maior produção de mel, pois permite que os enxames cheguem populosos na florada.

1- SUBSISTÊNCIA

a) 1kg de mel+ 600 ml de água ou 1kg de açúcar + 1 litro de água com essência de (chá) de capim santo, erva cidreira, ou colocar essência de baunilha ou alfazema (três gotas). Aquecendo até a dissolução do açúcar, colocar a essência e deixar esfriar a temperatura ambiente
, em seguida oferecer as abelhas em alimentadores individuais ou coletivos.

PROCEDIMENTOS

- O alimento individual deve ser abastecido no final da tarde, evitando pilhagem.
- A quantidade a ser oferecida 200ml (para abelhas grandes) e 100ml para abelhas médias e pequenas a cada três dias.
- Alimentador coletivo pode ser usado tampas plásticas de garrafas colocadas em um vasilhame protegido contra formigas, colocado próximo ao meliponário, antes de colocar o alimento no alimentador coletivo, injetar com uma seringa um pouco do xarope pelo orifício de entrada das abelhas para estimular a coleta.
- Observar a concorrência com as abelhas africanizadas, arapuá e outras.
Em regiões de chuvas constante, plantar espécies que produzem flores em épocas de escassez (mimo do céu, alumã, camboatá, sabiá, ora-pro-nobis etc).

2- ESTIMULANTE

- Colocar uma colher pequena de pólen misturado a um litro de alimentação de subsistência quando estiver fervendo, dissolvendo bem.
- Fornecer para as abelhas 60 dias antes da florada, e cessar a alimentação 10 (dez) dias antes do início da florada.
- Em caso de divisão de família colocar 10 (dez) dias após a divisão, retirar quando a família estiver bem desenvolvida.

IX - COLMÉIA RACIONAL (TIPOS DE CAIXAS)

- Uma colméia racional deve apresentar as seguintes características:
- Propiciar conforto térmico às abelhas e facilidade de manejo para o meliponicultor.
- O grande número de espécies de abelhas nativas sem ferrão, dificulta a padronização de modelo e tamanho de caixa que pudesse ser utilizada para todas as espécies, tanto para produção de mel como para produção de enxames.
- Portanto temos que adaptar o tamanho da caixa e o modelo de acordo com a espécie de abelha que vamos criar e com o objetivo da criação (produção de mel, enxames ou simplesmente preservação da espécie).
Existem alguns modelos pesquisados que estão sendo utilizados para todas as espécies com potencial de criação no sistema racional, tanto para a produção de mel como enxames.

1-CAIXA MARIA

Utilizada para criação de abelhas Melípona (Urucu e Mandaçaia) na produção de mel. Construída em três tamanhos: grande, médio e pequeno (60 a 100 cm), estrutura horizontal composta por ninho 20X20X20 cm na parte central e outros dois compartimentos poderão ser colocadas as melgueiras.Esta caixa é de manejo facilitado, pois permite a alternância de melgueiras e redução de espaço, além de proporcionar a colheita de mel limpo e maior produtividade.


Características do material para a construção de qualquer tipo de caixa: baixo custo, alta durabilidade, resistência ao ataque de cupins, leves e sem cheiros fortes.As espécies de madeiras recomendadas para o estado da Bahia e o Nordeste são: vinhático, louro, cedro, ingauçu, pau pombo, Paraíba, jaqueira e imburana.



- O comprimento dividido em três (3) compartimentos sendo o central de 20x20x20cm onde será o ninho os compartimentos são separados por tábuas com cinco (5) furos de 2,2cm de diâmetro e encaixadas por sarrafos de madeira.
- 4 furos de 2,2cm de diâmetro rente ao assoalho na traseira da caixa.
- 1 furo de 1,1cm de diâmetro a 7cm acima do assoalho para entrada e saída das abelhas.

ALIMENTADOR
5cm
15cm - Ripão de 6X6cm torneado com um furo para colocar a garrafa
de alimento.
- A parte que introduz na caixa com 2cm de diâmetro.
- o furo que dá acesso a garrafa com alimento 1,2cm
de diâmetro.
2- CAIXA UBERLÂNDIA ADAPTADA (INPA)


Este modelo de caixa tem uma estrutura vertical, composta de fundo, ninho, sobre ninho e melgueiras e tampa. Foi idealizada na UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA, tem sido utilizada na criação para produzir enxames e estudos de biologia.Foi redesenhada por um criador da Amazônia resultando numa caixa com ninho dividido, o que permite mais fácil divisão de favos para constituir nova família.Este modelo pode ser adaptado com medidas para as diferentes espécies de abelhas. A medida adequada para o bom desenvolvimento da abelha Urucu é de: 20x20x22cm; com melgueiras ou alças superpostas de 20x20x7cm.

X - COLHEITA, BENEFICIAMENTO, ENVASE, CONSERVAÇÃO, E COMERCIALIZAÇÃO.

COLHEITA:

O cuidado extremo com a higiene é fundamental para a manutenção da qualidade do produto.A colheita deve ser feita de preferência à tarde, evitando a pilhagem.
- Observar quando coletar pote com água devolver não misturando ao mel coletado.
- Não abrir potes com pólen para não estimular a entrada da mosca do forídeo.
- A sucção do mel deve ser feita com uma bomba ou seringa com extensão de uma mangueira plástica.
- O vasilhame com o mel colhido deve ser colocado em um isopor com gelo e
posteriormente mantido em geladeira.

BENEFICIAMENTO:

O mel colhido deverá ser levado para um local limpo e logo envasado, quando em quantidades pequenas. Grandes produtores devem proceder à decantação por um período de três dias em recipiente hermeticamente fechado e envolvido em gelo.Grande quantidade é recomendável fazer a desumidificação.Pequena quantidade pode se fazer o aquecimento (pasteurização) em banho maria, mas isto causa perda no produto fina.
ENVASE E CONSERVAÇÃO

O recipiente com mel deve ser lacrado e envolto em papel para evitar a incidência de luz ou ser colocado em vasilhame de vidro de cor escura, manter em local fresco e seco.
-Em caso de méis com alto teor de umidade conservar sobre refrigeração.
Período de conservação 3 a 6 meses.
-O recipiente para envase de mel deve ser higienisado com água sanitária e enxaguada com água pura para retirada dos resíduos.Deixar secar para posterior envase do mel

COMERCIALIZAÇÃO

-O produto poderá ser comercializado em potes, litros ou garrafas previamente higienisado.Devendo obedecer aos prazos de validade anterior citados.
O preço do produto é estipulado segundo:
-Mercado regional
-Cálculo do custo de produção
-Consulta a associações e cooperativas

XI - PRODUTIVIDADE MÉDIA ESTIMADA

A produtividade média com a criação racional em caixa em meliponário fixo tem sido a seguinte:
Abelha Urucuà 5 litros por caixa ano
Jataí e Iraià 1litro por caixa ano
Mandaçaiaà 2litros por caixa ano
Se praticar a meliponicultura migratória para local de florada forte esta produtividade aumentará duplicando e até triplicando.




XII - CUSTOS DE PRODUÇÃO

Para apurar os custos de produção temos que considerar:
a) Custos fixosà São os custos dos materiais utilizados para instalação do meliponário divididos pela vida útil de cada material.
b) Custos variáveisà São os custos dos materiais utilizados para construção do meliponário.
c) Custos da mão de obra empregada.
d) Custo da comercializaçãoà São os custos com vasilhames, rótulos, transporte e comissões de venda.

Custo da unidade = a+b+c+d
Produção

XIII - LITERATURAS CONSULTADAS

1-Sistema de produção Abelhas sem Ferrão nº 1 março de 1998 da EAFC
2-Artigos sobre Meliponicultura de Revistas Mensagem Doce
3-Folheto com instruções para transferência de ninhos de abelhas Melíponas de autoria da Drª Blandina Felipe Viana.
4-Anotações de cursos e de apostilas de meliponicultura
5-Manual de vídeo curso CPT (Centro de Produções Técnicas) Nº 459 edição 2004

XIV - MATERIAL ELABORADO PELO MELIPONICULTOR: JOSÉ DE LIMA FONTES

Salvador - BA
Telefone: 71.30156565
Email: jlfontes34@gmail.com

EDIÇÃO N° 02, MARÇO DE 2008.

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